quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Portugal: um retrato social

A Unidade 6 oferece oportunidade para abordar estes temas, integrando o DR4 de referência, Mobilidades Locais e Globais, e o DR3, Administração, Segurança e Território.

  • Esta série é um retrato da sociedade e dos portugueses na actualidade, resultado de um processo de transformações recentes e muito rápidas. Uma velha nação e um antigo Estado, na origem de uma população com forte sentido de identidade, conheceram, nas últimas décadas do século XX, um período de mudança muito intensa, sobretudo em consequência de factores externos, como a emigração, a integração europeia, a abertura económica e o turismo. A fundação da democracia teve também efeitos importantes. Estas transformações estão na origem de alterações de comportamentos e das estruturas sociais, visíveis nos diversos sectores e áreas da vida colectiva, na demografia, na saúde, na educação, no trabalho e nas relações entre as classes, as gerações e as regiões. A sociedade portuguesa é hoje aberta e plural.
    RTP
António Barreto é coordenador do projecto A SITUAÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL, 1960-1999 cujos livros poderá consultar na Biblioteca da Escola. Os mesmos dados encontram-se disponíveis em formato digital no blogue Estatística Descritiva. Para fazer comparações internacionais utilize o OCDE FactBook Main Economic Indicators - OCDE http://dx.doi.org/10.1787/22195009

Gráficos e Excel Textos Utilize os dados estatísticos, os vídeos, os textos, informação recolhida noutros sites - seguir links estatísticos - e construa 10 gráficos com comentários pertinentes. Tome este gráfico como modelo. (NOTA: Os 10 gráficos podem referir-se ao mesmo tema ou a assuntos diferentes.) 1. GENTE DIFERENTE. Quem somos, quantos somos e como vivemos
2. GANHAR O PÃO. O que fazemos
3. O FIM DA SOCIEDADE RURAL
4. NÓS E OS OUTROS. Uma sociedade plural
5. CIDADÃOS
6. IGUALDADE E CONFLITO. As relações sociais
7. UM PAÍS COMO OS OUYROS. Uma sociedade europeia

Núcleo Gerador: Urbanismo e Mobilidade Dimensões das Competências: Tecnologia e Sociedade Domínios de Referência: DR3/4 – Administração, Segurança e Território / Mobilidades Locais e Globais Elementos de Complexidade: Tipo I, II e III

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Como surfar rapidamente na Internet?

A Internet disponiza tanta informação, que é natural que surja a questão:

- Como posso aceder rapidamente à informação?

Uma parte da resposta passará certamente pela utilização de feeds RSS. No fundo, em vez de irmos aos sites verificar quanto têm informação nova, recebemos os novos posts num leitor de news, como se mostra no vídeo abaixo.



Outra das formas de ler a Web e os Mass Media consiste em utilizar agregadores de news como o Google News ou o AllTop.

Mas eu descobri uma forma mais rápida ainda de surfar na web: Basta deixar de fazer blogues ;)


1. Problematize os problemas de natureza legal que se têm levantado aos agregadores.

2. Discuta a pluralidade de modos de surfar a Web e de aceder à diversidade de fontes de informação hoje disponíveis.

3. Comente a "solução" sublinhada.



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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Twitter – O meio é a mensagem?

Como é possível dois utilizadores experientes como João Pedro Pereira e Paulo Querido revelarem opiniões tão contratantes sobres a mesma ferramenta. Para o SocialMediaClub o Twitter é bom para promover a associação entre as pessoas e a sua participação em eventos.

Discuta prós e contras desta ferramenta.


Seguem-se dois vídeos para mostrar brevemente como o Twitter funciona. O primeiro é mais genérico.



O segundo video mostra aspectos mais práticos.




Para abrir conta seleccionar SIGN UP em http://twitter.com


Ficará depois com uma página do Twitter com o endereço http://twitter.com/username

Envie o seu endereço do Twitter por e-mail para g10efa@yahoogroups.com para encontrar facilmente os seus colegas. Ou alternativamente siga a conta do professor em http://twitter.com/netodays.

Experimente indicar aos seguidores páginas e vídeos interessantes, descrevendo o seu conteúdo em 140 caracteres e indicando o respectivo endereço. Para isso precisará de encurtar as respectivas URLs, para o que existem múltiplos serviços. Escreva shorten url no Google para os descobrir.

http://goo.gl/ é serviço de encurtamento de URLs do Google. Oferece estatísticas dos links.




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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Marshall McLuan

A Internet certamente obrigará a uma releitura do guru da comunicação: Marshall McLuan.

“As sociedades têm sempre sido redesenhadas mais pelas características dos meios de comunicação utilizados pelos homens que pelo conteúdo da comunicação.”

Todos os media são extensões de algumas faculdades humanas, mentais ou físicas. A roda é uma extensão dos pés. O livro é uma extensão dos olhos. A roupa é uma extensão da pele. Os sinais eléctricos são uma extensão do sistema neuronal-central. A forma como são transmitidos estes sinais afecta a forma como nós pensamos, e quando muda o modo de transmissão a sociedade também muda.



“A nossa cultura está a lutar para forçar os novos media a trabalhar com os antigos”.

Estes são tempos difíceis porque nós estamos testemunhando uma colisão de proporções violentas entre duas grandes tecnologias:
- Imprensa: Jornalistas profissionais constróem notícias padronizadas, difundidas pelos públicos;
- Internet: Cada qual tem oportunidade de construir procurar as suas fontes de informação.

A televisão não tem como função principal a prestação de serviços de notícias, sendo mais utilizada como distracção, quando não é remetida simplesmente ao papel de “lâmpada” acesa.

A rádio é um meio onde não toleramos a voz por períodos prolongados, sendo mais utilizada para nos sentirmos acompanhados com música de fundo.

O utilizador só adquire um controlo activo sobre os conteúdos, quando utiliza a Internet, e isto faz toda a diferença relativamente aos restantes meios.

Mais, a Internet pode ser utilizada de muitas maneiras. A este propósito será útil pensar na Internet enquanto Ambiente Personalizado de Aprendizagem.


Fonte.


Fonte.

1. Justifique as seguintes afirmações de Marshall McLuan:
- "As pessoas não costumam ler jornais. Elas passam por eles todas as manhãs como pelo banho quente".
- "O futuro do livro é a sinopse".

2. Refira-se ao papel atribuído ao "consumidor final" nas duas tecnologias referidas.

3. Desenhe o esquema que representa o seu Ambiente Personalizado de Aprendizagem.

4. Critique o seu Ambiente Personalizado de Aprendizagem.



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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ADEONA: Recuperar um Computador Portátil perdido ou roubado


O Adeona é um programa de código aberto, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Washington, para localizar computadores portáteis perdidos ou roubados.

Como fazer?
Descarregue o programa em http://adeona.cs.washington.edu, instale-o e faça uma cópia do ficheiro fornecido com a credencial. Guarde-o fora do computador, por exemplo, numa pen-disk.
Em caso de perda ou furto, pode, sozinho e sem custos, averiguar o paradeiro do seu aparelho a partir de outro computador. Insira o ficheiro com credencial e palavra-passe, e descarregue os dados enviados e temporariamente armazenados. O programa
respeita a privacidade do proprietário, pois só este pode aceder à informação.

Para o Apple
Caso tenha um portátil da Apple, a probabilidade de recuperá-lo é maior. A versão para Mac OS permite fotografar o ladrão recorrendo a uma webcam integrada no aparelho e um programa gratuito isightcapture (www.intergalactic.de/pages/iSight.html). As fotografias também são confidenciais, ou seja, só podem ser vistas pelo proprietário do computador ou quem este autorizar.




Fonte: Deco ProTeste - nº 297 Dez 2008 in INTERACTiC 2.0

Proteja o seu portátil.



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sábado, 13 de dezembro de 2008

Que sociabilidades promove o computador?

Que sociabilidades promove o computador?

Os media na vida de crianças e jovens. Cristina Ponte. FCSH - Universidade Nova de Lisboa. ESTUDO Backup

  • A Internet está a converter-se vertiginosamente numa parte da nossa vida quotidiana e está a levantar novas questões acerca do acesso e das desigualdades, da natureza e qualidade do uso, das suas implicações no desenvolvimento social e educativo das crianças e, finalmente, sobre o equilíbrio entre os perigos e as oportunidades por ela criadas, tanto para crianças e jovens como para as suas famílias.
    Num país como Portugal, marcado por um fosso geracional significativo no que diz respeito ao acesso e uso das novas tecnologias, crianças e jovens são vistos com ambivalência: por um lado, são apelidados como a “geração digital”, pioneiros no desenvolvimento das capacidades online e com conhecimentos tecnológicos superiores ao dos adultos que os rodeiam; por outro, como um colectivo vulnerável, imerso num crucial, mas frágil processo de desenvolvimento social e cognitivo, no qual os meios de comunicação, e concretamente a Internet, pressupõem um risco potencial.
    Não há dúvida de que a Internet é uma ferramenta benéfica para as crianças e que elimina muitas das limitações de tempo e espaço que estas encontram no mundo “real”. A Rede aumenta o seu acesso à informação para fins educacionais, permite o estudo em grupo, oferece a oportunidade de contactar com outras pessoas sobre uma variedade quase infinita de assuntos e interesses, e aumenta também os seus círculos de conhecidos e amigos online.
    Apesar disso, influenciados pelos meios de comunicação, cuja atenção se centra muitas vezes nos perigos e riscos potenciais da Rede, e ligado a algumas experiências pessoais, os pais e a sociedade em geral têm vindo a mostrar grande preocupação sobre os aspectos menos úteis e de segurança que podem resultar do uso da Internet. Enquanto que somente uma parte mínima do material que se pode encontrar na Internet pode ser classificado como nocivo, essa pequeníssima fracção é enormemente visível e controvertida.
    Ainda que a definição de risco e os limites que dele derivam inclua sempre uma componente subjectiva, é certo que o risco existe. Tendo em conta a natureza da Internet e a forma como as crianças e os adultos a utilizam, é provável que alguns se tenham exposto
    alguma vez a conteúdos inapropriados ou tenham sofrido más experiências. Mas também existem conteúdos violentos, pornográficos ou xenófobos nos meios de comunicação tradicionais e é possível encontrar pessoas pouco convenientes em qualquer outro lugar.
    Por outro lado, existe uma associação forte e em sentido positivo entre as oportunidades e os riscos: aumentar as oportunidades, aumenta os riscos e, portanto, limitar o uso da Internet, diminui, não só os riscos, mas também as oportunidades. Por isso, é necessário colocar os riscos decorrentes do uso da Internet em destaque e oferecer uma valoração equilibrada dos diferentes enfoques que podem ajudar os pais e outros adultos a enfrentar esta questão de forma construtiva, em vez de se tomarem medidas de tipo restritivo ou limitativo.
    Em termos de interesse nacional, a sociedade - pais e educadores, operadores, reguladores - deve estabelecer um equilíbrio entre duas prioridades: proteger as crianças e permitir o seu desenvolvimento pleno, entre oportunidades e riscos. Contudo, estas prioridades podem parecer, por vezes, contraditórias: Pode proteger-se as crianças dos conteúdos inapropriados sem lhes negar o acesso a conteúdos educativos, válidos e atractivos? Podem minimizar-se os perigos sem reduzir as oportunidades? Estas questões são o ponto capital do dilema com que nos defrontamos actualmente.
    (...)
    O fenómeno da adição à Internet, as condutas de risco nos chats (transmissão de dados pessoais que possam permitir a localização, assim como o encontro “às cegas” com estranhos), a questão dos menores como protagonistas de condutas ilegais (download ilegal de filmes e músicas através das redes P2P), a mediação parental e escolar, o conhecimento e as estratégias dos professores para lidarem com o plágio e o uso acrítico da Internet, as práticas no contexto escolar, assim como o acesso à Rede em ciber-centros (há uma absoluta falta de controlo e regulamentação destes locais relativamente à presença de menores), são áreas de análise pouco estudadas e que poderão permitir ter um conhecimento mais aprofundado sobre a ligação das crianças e dos jovens com as novas tecnologias, para além dos seus riscos e oportunidades.
    Crianças e Internet, Riscos e Oportunidades - Um desafio para a agenda de pesquisa nacional Backup


http://www2.fcsh.unl.pt/eukidsonline/

Reflicta sobre a Internet no quadro das novas oportunidades que nos oferece e dos novos riscos a que nos expõe.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A sociedade do telemóvel!

Os desenvolvimentos tecnológicos têm consequências, muitas vezes imprevistas, sobre a estrutura social das sociedades. Poderemos falar na emergência de uma sociedade do telemóvel?

Segundo Anthony Giddens o termo modernidade refere-se aos modos de vida e de organização social que emergiram na Europa por volta do século XVII. Para o autor "a modernidade altera radicalmente a natureza da vida social quotidiana e afecta os aspectos mais pessoais da nossa experiência. (...) A vida social moderna caracteriza-se por processos profundos da reorganização do tempo e do espaço, aliados à expansão de mecanismos de descontextualização – mecanismos conducentes à abstracção das relações sociais de localizações específicas, recombinando-se através de vastas distâncias de espaço-tempo". O telemóvel altera radicalmente estas distâncias.

  • O objecto que mais mudou os nossos hábitos sociais não é o computador, nem a Internet, nem o cabo, é o telemóvel. (...)

    É o caso do relógio que saiu do laboratório das excentricidades, um pouco como precursor de um Meccano ou um Lego moderno, ou de um jogo de habilidade mecânica, ou de um objecto de luxo tão curioso como inútil, para se transformar numa necessidade tão vital que biliões de homens o trazem no pulso. Se exceptuarmos o uso dos relógios nos navios para calcular a longitude, os relógios não serviam para nada quando a esmagadora maioria das pessoas trabalhava de sol a sol, ou ao ciclo das estações, e estas dependiam de um calendário que estava escrito nos astros. Calendários eram precisos, relógios não eram precisos, até ao momento em que a Revolução Industrial apareceu e mudou quase tudo por onde passou. Milhões de pessoas vieram dos campos para as cidades, para as fábricas e para as minas, e precisavam de horas. O relógio subiu primeiro para as torres ou para o centro da fachada neoclássica das fábricas e lá continuou, passando depois para dentro, e depois para o bolso dos ricos e por fim para o pulso de todos. Hoje o relógio ordena o nosso tempo com um rigor muito para além do biológico e manda no nosso corpo, como nenhum objecto do passado. É tão presente que parece invisível, nem damos por ela que está lá, é parte do nosso corpo, mais do que objecto estranho. Um figurante do Ben Hur esqueceu-se dele, e nos filmes há quem vá para a cama sem ser para dormir, só vestido no pulso. (...)

    (...) Luta-se por um telemóvel, porque num telemóvel de um adolescente está muito do seu mundo: telefones dos amigos, telefone dos namorados, passwords, fotografias, mensagens, vídeos, o equivalente a um diário pessoal, em muitos casos mais íntimo que um diário à antiga, com a sua chavinha de brincar que dava a ilusão de que ninguém o lia. À medida que se caminha pela idade acima o conteúdo do telemóvel muda, mas continua pessoal e intransmissível, com os SMS comprometedores que arruínam muitos casamentos, até se tornar quase um telefone de emergência que os filhos dão aos pais com os números deles já gravados e os das emergências: "é só carregar aqui e eu atendo, se houver qualquer problema, assim não se sente sozinho." Sente. (...)

    (...) o magnífico instrumento de controlo que é o telemóvel, pessoa a pessoa, numa rede que prende os indivíduos numa impossível fuga àquilo que é o objecto sempre presente, sempre ligado (os telemóveis desligados são de desconfiar), no qual a primeira pergunta é sempre "onde tu estás?", uma pergunta sem sentido no telefone fixo, esse anacronismo. Adolescentes jovens ou tardios, casais, maridos, mulheres, amantes, namorados, patrões e empregados, jogam todos os dias esse jogo do controlo muito mais importante do que a necessidade de falar ao telemóvel. Na verdade a esmagadora maioria das chamadas de telemóvel não tem qualquer objecto ou necessidade de ser feita, ninguém as faria num mundo de telefones fixos, que não seja pelo controlo, pela presentificação do indivíduo no seu jogo de inseguranças, solidões, afectos, e medos, através da caixa electrónica que se segura numa mão.

    Não é a necessidade que justifica a presença quase universal dos telemóveis desde as crianças de seis anos até aos velhos, os milhões de chamadas a qualquer hora do dia, em qualquer sítio, da missa à sala de aulas, do carro à cama, é o complexo jogo de interacções sociais que ele permite, sem as quais já não sabemos viver. Viver num mundo muito diferente e cada vez mais diferente.
    José Pacheco Pereira – PÚBLICO, 12/ABRIL/2008
  • A cultura e a dependência da imagem que caracterizam os jovens de hoje exigem novas abordagens. E assim chegamos ao telemóvel, afinal o protagonista desta triste estória. Um pequeno telefone é um herói para o seu jovem dono, espécie de prolongamento do seu corpo e definidor dos seus relacionamentos: com ele se namora, se evita a solidão, se copia nos testes, se recebem ralhos ou mimos dos pais, se goza com os políticos ou os professores. As mensagens escritas, gratuitas em muitos casos por jogada bem calculada das operadoras, são os "papelinhos" trocados à socapa dos velhos tempos. Mais do que isso: com as câmaras de filmar dos telemóveis, registam-se cenas sexuais depois exibidas sem pudor ou, na terrível moda do "happy slapping", um adolescente agride outro desprevenido, para riso de um grupo que filma a cena.
    Daniel Sampaio - PÚBLICO, 30/MARÇO/2008
  • Onde é que já se viu hoje em dia não ter telemóvel, deixar de jogar playstation ou counterstrike em rede, ir para o hi5, deixar de mandar mails, chats e MSN, sacar filmes e umas músicas, ou para aqueles mais rebarbados sacar uns filmes XXX para vêr à noite?
    Pois, há cerca de 10-15 anos atrás, não havia.
Resumo O uso dos telemóveis generalizou-se de tal modo, que se pode afirmar que essa tecnologia se naturalizou, passou a fazer parte integrante das dinâmicas do indivíduo. Quem não tem hoje um telemóvel em Portugal e, no mundo ocidental em geral? O fenómeno expandiu-se sem olhar a classe social, económica, cultural, género ou idade. Os serviços disponibilizados pelos equipamentos foram-se desdobrando para atrair e satisfazer necessidades e desejos. Onde quer que se esteja está-se com quem e com o que se quer e precisa – “A era da conexão é a era da mobilidade” (Lemos,2004:3). Abre-se uma nova vaga na dinâmica das rotinas cognitivas e sociais metamorfoseadas pelas tecnologias da informação e da comunicação, em que a ubiquidade e o nomadismo são características marcantes. Mas, não deixa de ser igualmente marcante a nova dinâmica de gestão dos contactos e dos laços sociais. O que aparentemente traria um alargamento do círculo de sociabilidade, afinal afigura-se como meio de fechamento do sujeito num círculo restrito e controlado, no qual só entra quem é reconhecido. Deste modo, gerando o que Gournay (2002:355) designa de insularidade mediática mas, que também poderemos designar de geração de arquipélagos de comunicação – «L’insularité médiatique constitue la propriété marquante de la communication mobile, autant dans l’espace public que prive. Une insularité mouvante qui assure une fluidité maximale de la circulation des informations et des personnes, au prix de l’évitement ou du contournement de la proximité indésirable avec l’entourage, qu’il s’agisse du public anonyme, de clients ou d’administrés inopportuns, ou tout simplement de relations trop pesantes.» (Gournay 2002:355) Com a expansão do uso das comunicações móveis são identificados três níveis de tensão com a ecologia do espaço público (Morel,2002:51), a saber: o primeiro deve-se às melodias e sonoridades intempestivas que ferem a dinâmica sonora e relacional dos espaços; em segundo lugar, o acto de telefonar onde quer que se esteja altera os modos de presença e relacionamento com o espaço públicos e respectivos actores, alguns dos quais passam a estar presentes, mesmo na ausência física; num terceiro nível, o uso público de meios de comunicação móvel transporta do que foi durante muito tempo tido como do espaço privado para o espaço público, ou seja, o acto de telefonar estava associado ao lar ou ao espaço de trabalho, passa agora a estar onde quer que estejamos, com especial impacto na dinâmica de estar no espaço público ou em espaço partilhados (semipúblicos). A presente comunicação propõe-se reflectir sobre as mudanças sociais que a comunicação móvel introduz e apresentar alguns resultados frutos de estudos empíricos. Deste modo, pretende-se dar um contributo para estimular a reflexão sobre as implicações do uso de uma tecnologia que se alojou no nosso quotidiano como um vírus multiresistente ao qual ninguém escapa, mesmo os que tentam minimizar a sua presença e impacto, tal é a pressão social.
http://www.youtube.com/watch?v=2ZO8rrDkDKc

1. Considera excessiva a expressão "sociedade do telemóvel"? Justifique.

2. Será que o telemóvel promove o anulamento do diálogo directo, já que é mais fácil mandar uma mensagem ou falar via telemóvel? Discuta contextos diversificados.

3. Estamos a assistir à construção de uma sociedade mais aberta os mais fechada? Justifique.

4. Comente os valores de Sónia no modo como efectuou o carregamento do telemóvel.



Núcleo Gerador: Redes de Informação e Comunicação
Dimensões das Competências: Sociedade
Domínios de Referência: DR1 – Telemóvel
Elementos de Complexidade: Tipo I, II e III