Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

O triunfo do Capitalismo sobre a moralidade?

Após o final da II Grande Guerra Mundial, até ao fim dos anos 1990, viveu-se o período histórico da Guerra Fria. Os EUA e URSS repartiam entre si o Mundo, pelas respectivas esferas de influência.

Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Guerra_Fria_1980.svg

O poder nuclear permitia destruir o mundo centenas de vezes por qualquer das superpotências, e foi este equilíbrio do terror que evitou uma 3ª Guerra Mundial...

As divergências eram irresolúveis porque cada um dos blocos propunha formas de organização e funcionamento da economia e da sociedade diferentes: os EUA propunham o modelo capitalista; a URSS propunha o modelo socialista. Ambas as superpotências aspiravam a impor o seu modelo a todo o Mundo.

Não houve Guerra, a URSS mudou de nome, os países socialistas iniciaram processos de transição para o capitalismo, que hoje se nos apresenta triunfante, como se fosse o único modo de organização das economias e de funcionamento das sociedades.

A queda do muro de Berlim (Novembro de 1989) acelerou o processo de globalização quando colocou em relação as economias que até então viviam em mundos separados. Em resultado do seu modo de funcionamento, as empresas das economias capitalistas adoptam as tecnologias mais rapidamente, porque têm urgência em reduzir os custos para se manterem no mercado, isto é, não perderem quota de mercado e não falirem. Como nas economias socialistas não havia esta urgência, as respectivas unidades de produção não se encontravam preparadas para competir com as empresas capitalistas, e perante o colapso das economias socialistas foi a sua própria população que exigiu a transição para o capitalismo.

Economias de Mercado versus Economias de Direcção Central

Uma economia de mercado – dita economia capitalista do ponto de vista dos sistemas económicos – é um conjunto de mercados livres, na perspectiva em que a única coordenação destes é a efectuado pelo do mecanismo dos preços, isto é, pela “mão invisível”. Nestas economias a afectação de recursos é determinada pelas decisões de produção, de compras e de vendas tomadas pelas empresas e pelas opções das famílias. Nestas economias a articulação existente entre os planos dos diversos agentes económicos é nula, isto é, os planos estabelecidos por cada agente económico são independentes dos planos estabelecidos pelos restantes agentes económicos. Portanto, nestas economias o planeamento tem carácter indicativo.

No extremo oposto situam-se as economias de direcção central – também designadas por economias socialistas – em que todas as decisões sobre a afectação de recursos, e naturalmente, as restantes decisões desta decorrentes, são da responsabilidade da “autoridade Económica Central”, isto é, as unidades de produção produzem e as famílias consomem apenas como se lhes ordena. Nestas economias a articulação existente entre os planos dos diversos agentes económicos é total, portanto, os planos não são estabelecidos por cada agente económico, mas sim pela AEC para todos os agentes económicos. Portanto, estes são dependentes dos planos estabelecidos para os restantes agentes económicos. Assim, nestas economias, o planeamento tem carácter imperativo.

Na História Universal jamais existiu qualquer economia de mercado ou economia de direcção central “pura”. O estudo destes dois modelos de organização e funcionamento da sociedade e da actividade económica revela, no entanto, bastante interesse porque qualquer economia real, sendo uma economia mista, pode ser observada como o resultado de uma determinada coordenação entre os dois modelos anteriores, isto é, o que varia é simplesmente o grau da “mistura”.

Em certas economias a influência das autoridades centrais é substancialmente inferior à de outras. Podemos então dizer que as primeiras são economias relativamente próximas das economias de mercado e as segundas são economias relativamente próximas das economias de direcção central. É arbitrária a linha divisória que separa estas economias, não havendo para o efeito melhor indicador que o bom senso.

Dada a importância que os regimes democráticos adquiriram, e perante a derrocada dos regimes autocráticos a partir dos anos 1990, hoje até parece que as economias de mercado são a única forma de organização e funcionamento da sociedade e da actividade económica. Iremos estudar as economias mistas próximas das economias de mercado, por ser este o modelo que melhor se coaduna com os primeiros. A liberdade de escolha – condicionada pelas possibilidades monetárias – é a oferta dos regimes democráticos. Um modelo mais justo ainda está por inventar...

1. Distinga Economias de Mercado de Economias de Direcção Central quanto:
a) à articulação entre os planos dos diferentes agentes;
b) à forma como são determinados os preços;
c) ao tipo de planeamento;
d) à propriedade dos meios de produção;
e) à equidade ao nível da repartição do rendimento.

2. As unidades de produção nas Economias de Direcção Central tinham como objectivo cumprir as metas fixadas no plano pela AEC. Nas Economias de Mercado as empresas que não forem suficientemente competitivas vão à falência.
2.1. Qual dos dois modelos de organização da actividade económica conduz a uma mais rápida adopção de novas tecnologias. Justifique.
2.2. Combinando o acelerado progresso tecnológico com a globalização dos mercados e os factores políticos, justifique o colapso das Economias de Direcção Central.
2.3. A crise financeira actual (Outubro/2008) tem levado os Estados capitalistas a injectar dinheiro dos contribuintes no sistema bancário. Discuta a moralidade desta intervenção do Estado nas economias.



Pistas para reflexão:
- Bens providos pelo Estado (lógica das EDC) são acessíveis a mais pessoas que os oferecidos pelas empresas (lógica das EM) na educação, saúde,..
- Quando não pagamos nenhuma importância pela utilização dos bens, promove-se o desperdício e sobrecarrega-se quem o financia.
- Há preços estabelecidos de forma a variarem com o rendimento.




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